Terça-feira, 27.11.12

Família de rei timorense quer saber onde foi enterrado Dom Boaventura

Segunda-feira, 26.11.12

Centenário da guerra de Manufahi começou a ser assinalado no dia 24

O centenário da guerra de Manufahi e o 37º aniversário da proclamação unilateral da independência de Timor-Leste começaram a ser comemorados em Same, no sul da ilha, com uma cerimónia tradicional de reconciliação nacional, no sábado.

 

Até o dia de hoje representantes e líderes tradicionais dos 13 distritos de Timor-Leste vão reunir-se em Luak, a cerca de sete quilómetros de Same, para darem início à cerimónia tradicional de reconciliação nacional, denominada "Nahe Biti Bot".

 

Segundo João Noronha, sobrinho neto de D. Boaventura da Costa Sottomayor, que comandou a guerra de Manufahi contra os portugueses, a cerimónia tem como objetivo "pedir desculpas" aos descendentes do líder tradicional timorense por não terem apoiado a sua luta.

 

A revolta de Manufahi teve início no natal de 1911, depois da morte do comandante militar de Same, o tenente português Luiz Álvares da Silva, a mando do rei de Manufahi, D. Boaventura.

 

Em 1912, as autoridades portuguesas começaram as operações contra os "rebeldes" de Manufahi, que não foram apoiados por uma série de reinos timorenses. Paralelamente à cerimónia tradicional será também inaugurada uma feira com venda de produtos e artesanato timorense.

 

O ponto alto das celebrações acontece na quarta-feira com a inauguração da estátua de rei de Manufahi, bem como o seu agraciamento a título póstumo com a Ordem de D. Boaventura, a mais alta condecoração do Estado timorense.

 

Ainda na quarta-feira é celebrado o 37.º aniversário da proclamação unilateral da independência do país (28 de novembro de 1975) com a leitura do Texto da Proclamação da Independência da República Democrática de Timor-Leste, pela Fretilin uma semana antes da invasão indonésia.

 

SAPO TL c/Lusa

Guerra de Manufahi tornou trabalho obrigatório para todos os timorenses

A guerra de Manufahi, liderada pelo rei D. Boaventura, foi a primeira grande revolta contra a presença portuguesa em Timor-Leste e teve como consequência o trabalho obrigatório para todos os timorenses.

 

Iniciada no natal de 1911, quando o rei de Manufahi, Boaventura da Costa Sottomayor, mandou executar o comandante militar de Same, no sul da ilha, o tenente português Luiz Álvares da Silva, e o comandante de Fatuberliu, a guerra só terminaria em outubro de 2012.

 

Apesar de o motivo nacionalista ser um dos mais apontados para o início do conflito - o pai de D. Boaventura já não concordava com a presença portuguesa no território - a implantação da República em Portugal e motivos económicos também podem ter estado na origem do conflito.

 

Segundo o ex-bispo timorense Carlos Filipe Ximenes Belo, no livro "Guerra de Manufahi", editado este ano pela diocese de Baucau, os liurais timorenses (autoridades tradicionais) não aceitaram o fim da monarquia por terem jurado fidelidade ao rei de Portugal, nem um eventual aumento de impostos.

 

A revolta terá "provocado a morte de 15 mil a 25 mil" pessoas, escreve Ximenes Belo, e mudou a vida dos timorenses, que passaram a ser obrigados a trabalhar e a pagar impostos, depois de Boaventura da Costa Sottomayor se ter entregado às autoridades portuguesas a 26 de outubro de 1912.

 

Segundo o historiador Réné Pélissier, "foram efetivamente os timorenses que submeteram Timor por conta dos portugueses", porque nem todos os liurais apoiaram a revolta de D. Boaventura.

 

"Lutou sozinho, apoiado apenas pelos seus homens de Manufahi (talvez uns cinco a seis mil)", escreve Carlos Filipe Ximenes Belo.

 

O destino dado pelas autoridades portuguesas ao liurai de Manufahi não é conhecido, mas a memória do homem que, empunhando a bandeira da monarquia portuguesa, lutou contra a República de Portugal, não foi esquecida e permanece imortalizada numa estátua à entrada de Same, a cerca de 100 quilómetros a sul de Díli.

 

É também em Same que na quarta-feira, as autoridades timorenses comemoram o centenário da revolta de Manufahi, com a condecoração de Boaventura da Costa Sottomayor e com a inauguração de um novo monumento ao que consideram ser o primeiro herói timorense.

 

MSE //HB

 

Lusa/Fim

24.11.2012

Sexta-feira, 23.11.12

Same / Manufahi em Fotos

 

Fotos@Mauleman

Programa Centenário Revolta de Dom Boaventura 1912 - 2012

 

6ª FEIRA - 23 NOVEMBRO

 

09.00 – 11.00
Cerimónia da recepção tradicional pelas comunidades de Distrito do Manufahi aos representantes/ e líderes tradicionais dos Distritos de Ainaro

 

Local: Bobonaro & Covalima
Ponte Aiasa (Betano)



Horas: 13.00 – 15.00
Cerimónia da recepção tradicional pelas comunidades de Distrito do Manufahi aos representantes/ e líderes tradicionais

 

Local: Manatutu, Baucau, Viqueque, & Lautem

Horas: 17.00 – 19.00
Cerimónia da recepção tradicional pelas comunidades de Distrito do Manufahi aos representantes/ e líderes tradicionais

 

Local: Aileu, Ermera, Dili, Liquica, &Oecusse

SÁBADO: 24 DE NOVEMBRO

09.00 – 1400
Cerimónia tradicional “Nahe Biti Bot” entre os representantes/ e líderes tradicionais dos 13 Distritos , incluindo “Almoço Tradicional” dos representantes/ e líderes tradicionais dos 13 Distritos para dar o fim à cerimónia tradicional

Local: Luak (centro da cerimónia – Same)

18.00 – 24.00
Feira
MCIA
Local: Luak (centro da ceremónia – Same)

18.00 – 24.00
Apresentação noite cultural
Local: Luak (centro da cerimónia – Same)


DOMINGO : 25 DE NOVEMBRO

18.00 – 24.00
Feira
MCIA
Luak (centro da cerimónia – Same)

 

 

2ª FEIRA: 26 de NOVEMBRO

15.00 – 19.00
“Napak Tilas” ou andar de caminho da Pousada – Raimerkraik – Koloko – Luak (centro da cerimónia)
Comissão de Distrito Manufahi
Local: Pousada Same


18.00 – 24.00
Feira
MCIA
Local: Luak (centro da cerimónia – Same)

3ª FEIRA - 27 DE NOVEMBRO


09.00 – 11.00
Missa de Agradecimento
Local: Igreja Paróquia Same


19.00 – 24.00
Feira
MCIA
Local: Luak (centro da cerimónia – Same)

4ª FEIRA - 28 DE NOVEMBRO

 

09.00 – 11.00
Cerimónia da Içar de Bandeira Nacional
Incluindo Cerimónia de destacamento dos “belak” dos 13 Distritos no recinto do estátua de Dom Boaventura como um sinal de Reconciliação Nacional entre os líderes tradicionais dos 13 Distritos

Condecoração de Dom Boaventura e inauguração de estátua


Local: Luak (centro da cerimónia – Same)

11.00 – 12.30
Cerimónia de Cocktail para os convidados, e inauguração exposição do Espaço Dom Boaventura
Local: Luak (centro da cerimónia – Same)


17.00 – 18.00
Cerimónia de Arrear Bandeira Nacional
Local: Luak (centro da cerimónia – Same)

18.00 – 19.00
Cerimónia de Cocktail para os convidados
Local: Luak (centro da cerimónia – Same)

18.00 – 24.00
Feira
MCIA
Luak (centro da cerimónia – Same)

Família de Dom Boaventura quer saber onde jaz o corpo

 

A família da "casa sagrada" de Dom Boaventura, do suco Betano, agradeceu ao primeiro ministro, Kay Rala Xanana Gusmão pela iniciativa de relembrar o seu nome e aproveitou para pedir aos Estados de Timor-Leste e de Portugal para que indiquem o lugar onde se encontra a sepultura.

O Estado irá recordar o nome de Dom Boaventura e inaugurará uma estátua em sua homenagem, no entanto, a família exige ao Estado Português, através do Governo de Timor , que indique o local onde está sepultura deste herói nacional.

Dom Boaventura foi assasinado. A família não sabe ao certo o local onde foi morto. Segundo a história dos mais velhos, foi capturado e levado para Díli. Foi castigado em Aipelo, trouxeram-no de volta para Díli e aí foi assassinado. Segundo a família, a sepultura está à frente do portão principal do Cemitério de Santa Cruz.

Segundo o neto João da Costa Boaventura Noronha, o seu avô , foi assassinado pelo o facto de ter matado alguns portugueses. A sepultura estará algures no Cemitério de Santa Cruz e talvez seja pisada pelas pessoas que por lá passam. João da Costa indica que só o governo português sabe onde está sepultado o corpo do seu avô.

Apesar de o Estado recordar os 100 anos da Guerra de Manufahi, liderada por Dom Boaventura, celebrações que a família agradece, os netos, João da Costa Boaventura, Francisco Camões de Olivera, da Casa Sagrada de Donura, Boaventura Serkoli Dero, que inclui Júlio Noronha e o responsável da casa sagrada Oebada continuam a exigir que encontrem o corpo e os ossos.

SAPO TL com Suara Timor Lorosa’e

Quinta-feira, 22.11.12

Guerra de Manufahi

Como tudo começou...

 

A Guerra de Manufahi teve a sua origem na morte do tenente e comandante militar de Same Luis Álvares da Silva.

 

Esta guerra teve vários intervenientes, mas entre eles destacam-se dois protagonistas, quer pela condução das batalhas quer pela influência na história de Timor. Falamos de Dom Boaventura da Costa Souto Maior (régulo de Manufahi) e de Filomeno da Câmara de Melo Cabral (Primeiro governador de Timor nomeado pela República Portuguesa e comandante e chefe das forças durante a guerra de Manufahi).

 

Estávamos em Dezembro de 1911, conta-se que havia vários dias que D. Boaventura não aparecia no Comando apesar de ter sido convocado várias vezes pelo tenente Silva. Dias antes, o comandante mandara à casa do liurai um soldado português, velho no Comando, amigo pessoal e compadre de Dom Boaventura. Esse soldado foi retido e depois assassinado.

 

Na manhã do dia 24 de Dezembro de 1911, véspera de Natal, o tenente Luís estava na sua residência e acabava de tomar banho. Apareceram no comando uns homens mandados por Dom Boaventura da Costa. Um ia amarrado e outros seguiam-no. Davam a entender que iam apresentar uma queixa ao comandante.

 

O Tenente ao vêr aquilo saiu para ouvir a queixa do que ia amarrado. Golpes de catanadas começaram a cair sobre o comandante. Este tentou reagir correndo para dentro em busca da uma arma, sem sucesso.Os homens perseguiram-no e cortaram-lhe cabeça. A esposa do tenente Silva que se encontrava dentro da casa com o filho ainda bebé foi arrastada para fora e colocaram no regaço a cabeça do marido. No interior da residência os timorenses reuniam os móveis sobre os quais colocaram o cadáver do tenente Luís Silva. Entretanto mais três portugueses são mortos, dois soldados e um civil.

 

Não foi por acaso que D. Boaventura mandara matar o tenente Luís Silva. Ele era visto como um homen severo que chegou a esbofetear o irmão de D Boaventura, Dom Vicente. Uma fonte holandesa diz que o oficial português tinha violado a liurai feto, a esposa do régulo D. Boaventura.

 

A convite do irmão do régulo, o Comandante de Fatuberliu Ferreira desloca-se para passar o Natal a Fatumane. O mesmo é morto na ribeira de Sui. D. Boaventura manda um guarda-fio acompanhar a mulher do tenente para Maubisse.

 

Depois dos incidentes ocorridos na tranqueira de Same no dia 24 e 25 de Dezembro de 1911, o governo português prevendo o levantamento e a revolta dos reinos entra em preparativos para mais uma campanha contra Manufahi.

 

Do lado dos combatentes de Manufahi, há muito que os vários reinados planeavam uma revolta. Vários Liurais (régulos) haviam sido contactados, desde o liurai de Raimean, Bubuçuço, Bobonaro, Deribate, Atabae, Atsabe, Cailaco, Ermera, Matata, Punilala, Suai, Leimean, Bibuçuço, Alas, Turiscai, Lequidoe, Cová, entre outros.

 

Os homens estavam armados com algumas armas de fogo, sobretudo as chamadas armas brancas, o diman (azagaia), surik, catana, flechas, parões, facas, aidona (moca, cacete) etc.

 

Construiram fortificações de defesa na montanha de Cablac e nas florestas das redondezas de Same. Os locais de guerra mais importantes dos rebeldes timorenses eram as colinas de Riac e de Leo Laco.

 

No mês de Janeiro de 1912, várias povoações revoltaram-se abertamente contra o governo.

 

Os combatentes de Manufahi e seus aliados exibiam a bandeira azul e branca (Monarquia Portuguesa)  e as forças governamentais expunham a nova bandeira verde-rubra, adoptada pelo novo Regime Republicano.

 

É aqui que entra o governador Filomeno da Câmara, que em resposta a estes actos mobilizou soldados, moradores e auxiliares que atacaram os redutos dos “revoltosos”, situação que foi desde Janeiro de 1912 até Outubro do mesmo ano.

 

O resultado dessa campanha foi a prisão de Dom Boaventura e a sua consequente destituição no dia 26 de Outubro de 1912.

 

Visto de um outro ponto de vista e analisado por quem tem demonstrado grande interesse pela Guerra de Manufahi, conta-se que esta revolta teve vários motivos quer de ordem nacionalista, política e economómica.

 

Desde os tempos de D. Duarte(1895), pai de D. Boaventura, que os povos de Manufahi estavam revoltados contra os Portugueses. A forçada pacificação foi levada a cabo pelo governador José Celestino da Silva. Expulsar os portugueses de Timor era um imperativo.

 

Havia algum tempo que alguns reinos não aceitavam o domínio dos “malae muitin” (estrangeiros, neste caso portugueses). Recordemos o pacto de 1719, cujo actor principal era o régulo de Camanasa, e a consequente guerra de Cailaco (1725-1726).

 

De ordem política, destaca-se a data 5 de Outubro de 1910 quando se deu a implantação do regime republicano em Lisboa. Os régulos timorenses que sempre juraram fidelidade ao rei de Portugal, não aceitaram a mudança do regime e a troca de bandeira. A bandeira real (azul e branca) pela nova bandeira (verde e vermelha). Alguns Liurais temiam que com o novo regime em Portugal,  faria com que fosse destituídos e perdessem as regalias.

 

Conta-se que quando em Outubro 1910, os régulos foram a Díli para assistir à cerimónia da implantação da República, que já havia um pacto para uma possível revolta. E que esses régulos eram incitados por timorenses assimilados ou civilizados, entre os quais se contava um mestiço chamado Domingos de Sena Barreto que era filho de um goês e de uma chinesa. Estes foram incitados por europeus ligados à loja maçónica de Díli e que estavam descontentes com o Governador.

 

Da parte das autoridades portuguesas, forjou-se um outro motivo. A implicação dos holandeses que eram monárquicos e que queriam também expulsar os portugueses de Timor, para poderem dominar toda a ilha.

 

As revoltas que ocorreram em Timor, nos reinos das Províncias do Bellos e de Servião, tiveram a sua origem principal na cobrança de impostos. Em 1911 o governo ia aumentar os impostos.

 

Por exemplo, a capitação (tribute cobrado à cabeça) deveria passar de uma pataca para duas patacas. O corte de uma árvore de sândalo seria taxado de duas patacas. Os coqueiros e os gados seriam recenseados. Seria estabelecido um imposto de 5 patacas aplicado sobre os animais abatidos por ocasião das cerimónias (enterros, construção de uma lulic e realização de estilos).

 

Estes foram os principais motivos de descontentamento por parte dos régulos que depois se uniram em guerra contra as autoridades.


Mapa Distrito de Manufahi

1500 convidados vão participar na Cerimónia do Dom Boaventura

 

A comissão do evento dos 100 anos da revolta de Manufahi, Dom Boaventura, indica que vão participar 1500 convidados dos distritos, nas cerimónias na base de Luak, aldeia Dotik, suco Daisua, sub-distrito Same do distrito de Manufahi.

O técnico superior do Ministério Estatal, Lino de Jesus Toraxão disse aos jornalistas que o Estado teve a iniciativa de organizar e planear o programa da história da luta do Dom Boaventura de 1912-1974 até à luta pela independência de Timor-Leste.

O responsável salientou a importância de relembrar a história sobre a revolta do Dom Boaventura em 1912 para que as novas gerações saibam como tudo aconteceu.

Os convidados serão recebidos pelas três principais pontes. Pela ponte de Aiasa receberão os distritos de Bobonaro, Suai e Ainaro.

Na segunda ponte irão receber os distritos de Viqueque, Lospalos, Baucau e Manatuto.

E na última ponte os convidados que vêm de Oecusse, Dili, Aileu e Ermera.

SAPO TL com Suara Timor Lorosa’e

Sexta-feira, 17.08.12

Distrito de Manufahi , veja como é hoje

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